Prédio Histórico da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro

História e Memória • Prédio Histórico

Prédio Histórico da Polícia Central — Rua da Relação, nº 40

Rua da Relação, nº 40. No coração do centro do Rio de Janeiro, foi inaugurado, em , o prédio da Chefatura de Polícia, também conhecido como Prédio da Polícia Central. Projetado pelo arquiteto Heitor de Mello, o edifício foi concebido no contexto das grandes transformações do início do século XX, quando o poder público buscava modernizar suas instituições e dar nova forma à paisagem do centro histórico.

Criado para abrigar exclusivamente departamentos da polícia, o prédio também foi sede do primeiro Museu do Crime e da Escola de Polícia Científica, simbolizando a modernização do Estado Republicano e a adoção de paradigmas jurídicos e científicos que reforçavam a centralidade da informação e da técnica no trabalho policial.

Por seu valor histórico, arquitetônico e memorialístico, é considerado a peça número um do acervo do Museu PCERJ.

Arquitetura: um exemplar do ecletismo carioca

Além do seu valor histórico, o prédio se destaca pela arquitetura e pelo conjunto artístico. Trata-se de uma edificação com três pavimentos, pátio interno e fachadas simétricas, marcada por volumetria imponente e por elementos ornamentais como molduras decoradas, vitrais, balaustradas e a cúpula que evidencia o corpo cilíndrico da esquina. A composição é considerada um dos principais exemplos da arquitetura eclética carioca com influência francesa, associada ao ambiente cultural da Belle Époque.

Um edifício, muitas histórias

Ao longo de mais de 100 anos de história, diversos departamentos policiais funcionaram nas dependências do prédio da Polícia Central, na Rua da Relação, nº 40. Entre eles, destacam-se o Gabinete Médico-Legal, a Direção da Guarda Civil, a Inspetoria de Tráfego e a Central da Rádio Patrulha.

Entretanto, nenhum departamento ganhou tanta notoriedade — e teve sua rotina mais diretamente associada ao edifício — quanto o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS-RJ), durante o período da ditadura militar no Brasil.

O DOPS foi uma polícia política cujo objetivo era produzir relatórios sobre indivíduos e organizações — sindicatos, por exemplo — considerados potencialmente perigosos para a ordem política e a segurança do Estado. Contudo, suas dependências testemunharam mais que isso.

Com o processo de abertura política da década de 1980, após a Lei da Anistia de , o local passou a ser reconhecido como um símbolo da luta pelos direitos humanos e de disputas de memórias sensíveis relacionadas a esse período histórico.

Nosso Sagrado

O acervo anteriormente conhecido como “Magia Negra” integrava o acervo do Museu PCERJ e é formado por objetos religiosos de matriz africana apreendidos no Rio de Janeiro em ações policiais realizadas entre e . O conjunto foi tombado pelo IPHAN em .

Após anos de reivindicação de lideranças religiosas, que buscavam a retirada das peças do Museu, em o acervo foi doado ao Museu da República e passou por um processo de ressignificação, que incluiu a mudança de nome da coleção para “Nosso Sagrado”.

Fatos em destaque

Inauguração e autoria
• projeto de Heitor de Mello • Chefatura de Polícia
Arquitetura
Ecletismo carioca com influência francesa • três pavimentos • pátio interno • cúpula
Memória histórica sensível
Sede do DOPS-RJ • local associado à repressão política e às lutas por direitos humanos
Proteção patrimonial
Tombamento estadual pelo INEPAC () • tombamento federal pelo IPHAN ()

Patrimônio, democracia e responsabilidade pública

Preservar este prédio significa reconhecer um patrimônio que é, ao mesmo tempo, arquitetônico, institucional e social. Isso envolve valorizar o edifício como marco urbano e exemplo de arquitetura, mas também assumir que lugares de memória carregam disputas, dores e lembranças coletivas.

O tombamento estadual pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), em , e o tombamento federal aprovado pelo IPHAN, em , reforçam esse entendimento ao relacionar a preservação do bem ao dever público de manter vivas suas memórias.

O prédio e a memória da cidade

Ao reunir dimensões institucionais, urbanas e sociais, a Rua da Relação, nº 40 tornou-se um ponto de referência para compreender continuidades e rupturas da história republicana. Comunicar esse patrimônio é um gesto de preservação e educação, capaz de estimular a leitura crítica do passado e reforçar o papel da cultura na construção de uma memória pública responsável.

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